Afinal

Dentro de mim estão presos e atados ao chão 
Todos os movimentos que compõem o universo, 
A fúria minuciosa e dos átomos, 
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos, 
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,
A chuva com pedras atiradas de catapultas 
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio 
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma. 
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode, 
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode, 
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge, 
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida, 
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes, 
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos, 
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!


"Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir."

Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima, 
Começam chegando os primitivos da espera, 
Já ao longe o paquete de África se avoluma e esclarece. 
Vim aqui para não esperar ninguém, 
Para ver os outros esperar, 
Para ser os outros todos a esperar, 
Para ser a esperança de todos os outros.
Trago um grande cansaço de ser tanta coisa. 
Chegam os retardatários do princípio, 
E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser, 
Vou-me embora brusco e notável ao porteiro que me fita muito 
mas rapidamente. Regresso à cidade como à liberdade.

Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.