Sobre Melancholia e contemporaneidade



O artigo reflete sobre o filme Melancholia e faz uma comparação com fatos e sentimentos da realidade, no seu caráter de finitude e da inexorabilidade da vida.O filme, de Lars von Trier, traz a história do planeta Melancholia que, segundo descobertas científicas, estava em rota de colisão com a Terra.A divulgação disso gerou reações em cadeia, alterando a vida de muitas pessoas.Os cientistas acreditavam que não haveria uma colisão, que, no último instante, o planeta voltaria, mas, coletivamente, não se tinha certeza disso.Daí resultam dramas diversos.
No filme, o mais dramático da condição do medo é a sensação de catástrofe, que acaba paralisando as pessoas ou levando a decisões impulsivas, como o caso do personagem que se suicidou.Ele era bem-sucedido na vida e demonstrava acreditar na versão dos cientistas de que não havia risco de colisão.Ficou evidente, contudo, que o medo leva ao desespero,  e o desespero, às vezes, a ações dramáticas.
Interessante que a única personagem que não entrou em pânico é a que sofria de depressão.Ela aceitava a fatalidade, sentindo-se, aparentemente, aliviada pela confirmação do seu sentimento de desesperança.Ela é quem acaba cuidando das pessoas a sua volta, criando um sistema de proteção, com o qual pôde consolar o sobrinho e a irmã.Estabeleceu, desse modo, uma espécie de "território mágico", onde não haveria sofrimento.
Na sua aparente fragilidade, foi a pessoa que se mostrou mais forte, aceitando o que estava para acontecer.
Com seu traço psicológico, a aproximação do Melancholia era uma "libertação" das exigências da vida.
Para a maioria dos personagens, no entanto, o medo é avassalador.A melancolia sentida por todos, quanto mas se aproxima do fim, é algo muito triste, pois a família de protagonistas sabe qual será o desfecho: a destruição total.Seja isso justo ou não, será o fim!Esta é a lógica do filme, mas na vida, embora existam riscos reais, há muitas situações em que se tem possibilidades, mesmo diante de acontecimentos trágicos.
O mais dramático do filme resulta da sensação do medo, já que o drama todo se passa diante da "espera" da catástrofe.Assim como na vida, o dif´cel é enfrentar a espera, a constatação prévia da fatalidade.Diante disso, as pessoas devem acionar recursos internos para sentir menos medo, mesmo em situações difíceis e dramáticas.
Há ações a serem empreendidas, estratégias de sobrevivência a serem desenvolvidas para lidar com as mudanças involuntárias, quase resultado do mmovimento cósmico, que altera, no micro e macroambiente, o rumo das nossas existências.De modo análogo, enquanto o "planeta" não chega, o mesmo medoque pode paralisar a iniciativa tem força suficiente para acionar novas perspectivas e estratégias de vida.

Stella Galbinski Breitman *Mestre em Psicologia Social